«Como já vimos, no caso da palavra livre, palavras outrora portadoras de um sentido herético mantinham-se por vezes devido a razões de conveniência, só que expurgadas dos sentidos indesejáveis. Inúmeras outras palavras como honra, justiça, moralidade, internacionalismo, democracia, ciência e religião tinham simplesmente sido suprimidas, ao serem abrangidas por algumas palavras mais genéricas que, ao abrangê-las, as aboliam. Todas as palavras que se agrupavam em torno dos conceitos de liberdade e igualdade, por exemplo, foram abarcadas por uma única palavra, crimepensar, enquanto as palavras que giravam em torno dos conceitos de objectividade e racionalismo foram absorvidas pela palavra velhopensar. Precisão maior, seria perigoso. O que se pretendia dos membros do Partido era uma visão do mundo semelhante à dos antigos hebreus, que sabiam, e pouco mais sabendo, que todas as nações à excepção da sua adoravam «falsos deuses». Ao hebreu tanto lhe fazia que esses deuses se chamassem Baal, Osíris, Moloch, Astaroth, e assim por diante; provavelmente, quanto menos soubesse acerca deles, melhor para a sua ortodoxia. Conhecia Jeová e os mandamentos de Jeová: por conseguinte, todos os deuses com nomes diferentes ou outros atributos eram falsos deuses.»
George Orwell
in "1984", Antígona
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Novilíngua
terça-feira, 6 de maio de 2008
Ponto de Não Retorno
«A Fraternidade não pode ser destruída, porque não é uma organização no sentido habitual do termo. A sua coesão assenta apenas numa coisa: uma ideia, uma ideia indestrutível. Nunca haverá nada que vos ampare, excepto essa ideia. (...) Vocês terão de se habituar a viver sem resultados nem esperança. (...) Convençam-se de que é improvável virem a ocorrer mudanças perceptíveis durante a vossa vida. Nós somos os mortos. A nossa única vida autêntica está no futuro. Viveremos essa vida como uma mão cheia de pó e estilhaços de ossos. Mas ninguém sabe quando virá esse futuro. Até pode ser daqui a mil anos. De momento nada podemos fazer senão alargar a pouco e pouco os espaços de saúde mental. Impossível agir colectivamente. Só podemos difundir o nosso conhecimento indivíduo a indivíduo, geração após geração.»
George Orwell
in "1984"




