segunda-feira, 26 de maio de 2008

Gianluca Iannone expulso da Fiamma Tricolore

Semana conturbada para muitos camaradas italianos, especialmente para Gianluca Iannone e a sua comunidade romana, que apesar do mal-estar que se vivia, não esperava um desfecho destes.
Um mal-estar que se foi instalando gradualmente um pouco por toda a Itália, devido a uma linha de conduta que prejudica as bases militantes e cria barreiras e limitações a uma linha estratégica que as mesmas querem seguir. O processo culminou no virar de costas da direcção do partido à CasaPound Latina, recusando o pedido para aí instalar a sede regional da Fiamma Tricolore.
Fartos de esperar por um congresso nacional para definir cargos e chefias e reorganizar a estrutura da Fiamma Tricolore, fartos de exigir que os representantes locais fossem escolhidos pelos militantes e por mérito e não nomeados por amizades ou titulos "vitalícios" e simpatias várias, Gianluca e os seus rapazes, numa atitude tanto simbólica como "mishimiana", ocuparam a sede do partido em que até sabado militavam, exigindo a realização do tal congresso e uma tomada de posição claras e inequívocas que pudesse dar um rumo concreto à Fiamma que não apenas esperar por uma proposta de Berlusconi.
Um raid onde o objectivo era claramente obrigar a direcção do partido a largar a apatia em que vive e dar voz às bases militantes que resgataram um partido agonizante de uma morte lenta mas que continuavam sem se ver respeitadas nem ouvidas.
Infelizmente Romagnoli não percebeu, ou talvez já contasse fazer este sacrifício de forma a livrar-se de algumas situações que pudessem colocar em risco o bilhete para o reino das poltronas do P.D.L de Berlusconi. O que toda a gente se pergunta agora é como irá sobreviver a Fiamma sem a sua base militante, aquela que se sujava de cola e passava noites em claro na rua, aquela que levou o projecto "Mutuo Sociale" a toda a Itália e que levou novamente o partido à política e batalha diária, não apenas a um mês das eleições com negociatas de salão.
De facto a criação de CasaPound Itália e as várias secções por todo o país como alternativa a um partido controlado por velhas "carcaças" ja deixavam entrever que o copo estava prestes a entornar e o afastamento estava para acontecer.
Imediatamente a seguir à ordem de expulsão dada por Romagnoli que acusa Gianluca Iannone de uma acção anti-estatutária ao ter ocupado a sede (os mesmos estatutos que prevêem a convocação de um congresso nacional de 2 em 2 anos), várias secções locais da Fiamma emitiram comunicados exprimindo solidariedade a Gianluca Iannone e abandonando o partido, prometendo entregar cartões de militante na 2ª feira e cancelar vários sítios internet do partido, cancelando desde já a ligação e avançando totalmente para o projecto CasaPound Itália, recomeçando não do zero, mas de um sentimento mais forte que o fogo... a camaradagem e a crença num projecto que resume um estilo de vida.

6 comentários:

Anónimo disse...

Caro Inconformista,

Há aqui um problema mais grave. Como é que é possível que exista um partido que faz do apego à legalidade e da luta contra a criminalidade e desordem, o seu grande mote e em que os seus militantes não são capazes de cumprir e aceitar os próprios regulamentos internos?

Os argumentos aduzidos pelos militantes revoltosos são os típicos argumentos "basistas" da esquerda para destruir as estruturas de legalidade.

Se andarem a mudar de regulamentos internos à vontade do freguês e com esses argumentos, em que se diferenciam da esquerda? E como poderão governar, quando não conseguem um respeito mínimo pela legalidade partidária?

O Corcunda

Flávio Gonçalves disse...

Curiosamente ainda ontem vi alguns militantes do MSR e outros espanhóis discutirem a possibilidade da criação de uma Casa Pound em Espanha e também se concluiu que o rumo "tachista" e "de direita" da Fiamma Tricolore ia acabar por entrar em conflito com as suas bases militantes.

Dito e feito. Há que virar à esquerda ;)

pedro guedes disse...

"O que toda a gente se pergunta agora é como irá sobreviver a Fiamma sem a sua base militante, aquela que se sujava de cola e passava noites em claro na rua, aquela que levou o projecto "Mutuo Sociale" a toda a Itália e que levou novamente o partido à política e batalha diária, não apenas a um mês das eleições com negociatas de salão."

Vai sobreviver sem espinhas. Se vires com atenção, antes da chegada dos "Mutuo Sociale" e das "bases militantes" a Fiamma elegeu um deputado para o Parlamento Europeu - o que não era fácil. Os "engravatados" também sabiam colar cartazes, aquilo no fundo tem pouca ciência... ;)
Curiosamente, depois da "base militante", nunca mais elegeu ninguém numa eleição que se visse. O Iannone, com quem eu até simpatizo, havia de reflectir sobre isto...
A Casa Pound é um projecto muito interessante, o problema é quando não se tem a devida noção das proporções.
Abr.

Flávio Gonçalves disse...

Creio que o meu azar de ter tantas costelas dissidentes origina por vezes mais que uma opinião acerca do mesmo assunto, neste caso a minha costela eleitoralista (aquela que volta e meia diz 'ó Flávio já são 15 anos em partidos que não interessam a ninguém, vai mas é para o PS ou para o PSD') dá plena razão ao Pedro.

A minha crença persistente, contudo, centra-se no movimento revolucionário e este não é, nem pode ser, eleitoral, a Revolução não vai vai vir das urnas nem dos engravatados, vai vir das ruas, dos trabalhadores e dos jovens.

Apesar de não me agradarem as relações do Gianluca com os identitários franceses - que conhecidos em comum já garantiram deverem-se meramente a relações musicais e não ideológicas - o seu trabalho e do Mutuo Sociale é uma inspiração para todos os revolucionários europeus.

E o que não falta em Itália são movimentos deste género, a "área nacional" em Itália é imensa e vai do fascismo mais vermelho - capaz de envergonhar qualquer comunista - ao direitismo mais capitalista e burguês que se possa imaginar.

Já agora:

http://www.casapound.org/

Anónimo disse...

E quando entre nós "começamos" a falar em Itália como uma espécie de exemplo a seguir eis que o "ducismo primário" faz das suas!
Lá e cá e pelo caminho...
Se se assumem como revolucionários, soldados de rua, coladores de cartazes, seguranças anti-antifas e o blá-blá costumeiro, não se metam no jogo-democrático. Mantenham o trabalho que estão a ter (muito bom) ou então comecem a por bombas. Agora meias tintas é que não.

Legionário

Anónimo disse...

"A minha crença persistente, contudo, centra-se no movimento revolucionário e este não é, nem pode ser, eleitoral, a Revolução não vai vai vir das urnas nem dos engravatados, vai vir das ruas, dos trabalhadores e dos jovens."

Liderado pelo MNSA.