segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Grande Mentira

É óbvio – e isso já também foi referido por inúmeros autores – que esta globalização, iniciada no pós-guerra e que se prolonga durante toda a segunda metade do século XX e início do século XXI, gerou progressivamente um pensamento único, a que alguns autores, tão apressados quanto eminentes, resolveram chamar “o fim das ideologias”. (…)
A micro elite tem, acima de tudo, uma ideologia pragmática e de vocação prioritariamente económica e financeira. Tudo aquilo que for contra esta prioridade deve ser desguarnecido para ser apagado a breve prazo. E assim devem morrer as religiões de vocação missionária mais intervencionista e inquieta (…) devem desaparecer os nacionalismos e os regionalismos mais teimosos e emancipalistas (…) O sistema deve criar serventuários eficientes e acéfalos. É preciso investir em tecnologia e em técnicos e fugir da formação de críticos ou inconformistas. Nos jovens, é preciso criar subliminarmente a impressão da fatalidade gerada pelos novos dias: ou se integram no sistema e o servem, podendo, se conformados, vir a beneficiar razoavelmente daquilo que este pode conceder em termos materiais, ou se é considerado disfuncional, e portanto um marginal, descartável como aliás os objectos de consumo que o próprio candidato vê e compra sistematicamente.

António Sousa Lara
in "A Grande Mentira", ed. Hugin, 2004

1 comentário:

Escarapão disse...

Comprei o livro em 2004, foi um dos melhores investimentos que já fiz!
Apesar de toda a polémica tive o prazer de ser aluno do Prof. Sousa Lara, apesar de todas polémicas que o envolveram, sempre manteve uma postura irrepreensível.
Não delegando aulas em assistentes, sendo um grande transmissor de conhecimento!
Desmonta a tese da inevitabilidade de um único caminho capitalista. E de como existe um constante bombardeamento ideológico às massas, que é difícil penetrar.
O Prof. Sousa Lara é o exemplo vivo que existe em Portugal um pensamento alternativo ao sistema, que não o Esquerdista, em qualquer das suas formas.
Usando uma frase dita pelo próprio sobre Maquiavel. "Um Homem quando tem razão antes de tempo, acaba a falar sozinho".