quarta-feira, 1 de abril de 2009

Alternativa

«Não há dúvida que a luta de classes é uma realidade. A sífilis é, igualmente, uma realidade, mas uma coisa é aceitá-la e incrementá-la, e coisa bem diversa é corrigi-la, tratá-la, combatê-la. O Estado fascista situa-se num plano superior à luta de classes, procurando superá-la, neutralizá-la o mais possível.
(...) Entende que na produção se impõe o aproveitamento do amor do lucro e, mais ainda, do espírito de iniciativa e inventiva, e bem assim das qualidades de chefia. Por isso, acha que aos empresários que constroem uma obra é preciso atribuir uma posição de comando. Em contrapartida, todos deverão participar dos benefícios da empresa, embora não com absoluta igualdade, porque será injusto tratar como iguais capacidades desiguais. De qualquer forma, cumprirá ao Estado vigiar com atenção para que não haja desproporções escandalosas que impeçam dirigentes e operários de estar unidos e integrados num empreendimento comum. E só merecerá respeito o labor produtivo e vital, acrescendo que, sem ele, ninguém em geral terá direito a subsistir.
O fascismo, por conseguinte, opõe-se resolutamente ao capitalismo especulativo – para usar a denominação de Gottfried Feder – que não conhece outra medida senão o seu próprio domínio e engrandecimento.»

António José de Brito
in "Diálogos de Doutrina Antidemocrática"

2 comentários:

Anónimo disse...

O Prof. AJB disse isso há umas décadas. Hoje a luta de classes acabou pelo simples facto de já ninguém ter classe.
O que há por aí é um vê se te avias para se conseguir o melhor tacho - mais cacau e menos responsabilidade. "Empresários" e "trabalhadores" andam todos ao mesmo e, por muito que se enganem uns aos outros, a luta de classes já não é para ali chamada.

Gonçalo R. disse...

Só os que defendem ideologias materialistas, promoção constante de luta de classes, não compreendem a verdadeira essência de uma sociedade devidamente estratificada e regulada, onde cada um dos indivíduos tem as suas características, aliado de um enquadramento próprio, pois simplesmente não somos todos iguais. Ao Estado Honesto, cabe o papel da regulação, para que não haja desvios capitalistas, evitando a desproporção escandalosa entre os referenciais dolabor produtivo.

Hoje e apesar de termos perdido as nossas Elites, continuamos a ter luta de classes... a "elite" partidária encarrega-se de a levar a cabo todos os dias, promovendo a luta entre trabalhadores e patronato, subsídio-dependentes e os cidadãos que todos os meses se apercebem que o estado lhes tira cada vez mais do seu bolso, o que nos tem levado à supressão da nossa classe média.
Devemos neutralizar a luta de classes, sim!