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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

É preciso ler


"Precisamos de uma indústria editorial próspera — para que os editores possam pagar, os autores possam escrever, e a língua e a cultura portuguesas continuem a impor o nome de Portugal e da civilização portuguesa. Temos servido demasiadamente de colónia intelectual do estrangeiro: — e ou Portugal não se encontra de facto — ao contrário do que todos os dias nós mesmos, portugueses, afirmamos — em pleno Ressurgimento, ou chegou a hora de nos libertarmos dessa ultrajante situação de colónia estrangeira, no plano da cultura. E aqui, para concluir, direi com Gilberto Freire: — «(...) É que o grande drama de vida e de morte para os povos não é o que decide pelas armas a sorte dos Estados; nem a de regimens políticos. O grande drama é o que decide a sorte das culturas. É a guerra entre culturas»."

Augusto da Costa
in Meridiano de Lisboa, Editorial Acção, Colecção Estudos Portugueses, Lisboa, 1943.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Como Proudhon se revoltava contra a democracia

«Proudhon revoltou-se contra a Declaração dos Direitos do Homem, porque fazia do mesmo homem apenas um animal político, a quem só direitos políticos eram reconhecidos, esquecendo que o homem também trabalha para se alimentar, e que há uma justiça social a realizar. Numa palavra, a democracia divinizou o indivíduo mas esqueceu a pessoa humana. O socialismo divinizou o produtor e o consumidor, mas esqueceu o homem. Eia porque nós nos revoltamos contra o socialismo, como Proudhon se revoltava contra a democracia.»

Augusto da Costa
in "Crespúsculo dos Deuses", Lisboa, 1933.