«A Comunidade Europeia que nos preparam os partidos colocados no seu lugar pelos Aliados em 1945 reproduzirá todas as taras dos regimes de sufrágio. Será portanto uma Europa democrática, isto é, uma Europa dos políticos, enfeudada aos trusts e aos monopólios, alimentada com mitos e confusões elaborados em 1945, incapaz de se defender contras as infiltrações e a subversão (...), venal e desonesta porque estará fundada no mecanismo eleitoral, impotente contra a invasão estrangeira, vestida de ideologias antiquadas como o antifascismo, imprópria por todas estas razões para proteger e, ainda menos, manifestar a sua independência, tão inviável como era a Polónia do século XVII, e exposta aos mesmos perigos.
Além disso “avançada”, isto é, frouxa, hipnotizada pelos estoira-vergas que se proclamam mais avançados que ela, sem defesa contra os terroristas e os separatistas, espantados com a ideia de ser aquilo que convém ser quando se quer ter, em política, uma força. Por todas estas razões, a Comunidade europeia democrática conduz em si própria todas as causas de malogro e decadência, não conseguirá, pois, remediar as necessidades mais urgentes, organizar um exército que seja suficiente para tornar perigosa uma empresa contra o seu território e dotar-se de uma legislação que proteja eficazmente os seus interesses económicos.
Podemos, pois, estar seguros de que a “Comunidade” dos regimes sem alma e sem força será, ela própria, uma Comunidade sem alma e sem força. A Comunidade europeia democrática não produzirá qualquer milagre: não pode ser senão a das fraquezas dos Estados democráticos que a compõem.»
Maurice Bardèche
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Uma Comunidade sem alma e sem força
sábado, 25 de abril de 2009
O Escol
«A acção do escol abrange uma tripla tarefa, totalmente inspirada na convicção de que as multidões, sendo facilmente conduzidas, são incapazes de criar. Inicialmente, as ideias novas devem ser impulsionadas pelos espíritos fortes: só eles podem provocar a fractura dos hábitos e dos interesses, e só eles podem desempenhar o duro trabalho de pioneiros. Esta é a sua primeira missão. Mas, a todo o momento, as massas carecem de exemplos, porque, embora perfectíveis, só exemplarmente podem ser aperfeiçoadas. As ideias, como a religião, necessitam de vidas exemplares, que as personifiquem. E esta é a segunda missão dos homens que representam as ideias. Finalmente, um Poder forte, justamente porque é forte, exige sempre a comparticipação de agentes seguros, fiéis, desinteressados, que lhe indiquem erros, omissões, estados de ignorância, e, em compensação, deve fazer compreender os seus objectivos e decisões. Esta é a missão propriamente política do escol, exercício de fiscalização e de ensino.
As três funções correspondem aos três princípios do Poder, distintos na célebre teoria de Montesquieu, mas, na verdade, reunidos em todos os Estados completos e sadios. À primeira tarefa equivale o temor, pois nenhum Estado pode prescindir da disciplina; à segunda corresponde a honra, porque não pode existir Estado sem ideal; à terceira equivale a virtude, pois nenhum Estado pode subsistir sem desinteresse. E estes princípios correspondem, também, aos três preceitos capitais da acção, que são as virtudes do padre, do militante e do soldado: a coragem na confissão da fé, o sacrifício na experiência diária e o amor na vocação que se escolheu.»
Maurice Bardèche
sábado, 7 de fevereiro de 2009
O Novo Mundo
«A alienação face a um pensamento correcto implica necessariamente a submissão a uma atitude correcta, que na sociedade de consumo compreende a boa vontade face às instituições, o optimismo democrático, a ambição de ser semelhante aos colegas e de aspirar a ser o favorito do chefe, a satisfação de ser um bom cliente e um bom cidadão, empenhado em conseguir dinheiro para comprar cada vez mais coisas que nos são inúteis. Tudo isto a título individual mas cedendo cada vez mais as nossas responsabilidades (políticas, sociais, económicas, ecológicas, familiares, municipais…) a um Estado-Sistema que sofre um acelerado processo de privatização multinacional. A consciência industrial é completada com uma educação industrial que encaminha os seus esforços para fazer de nós uns consumidores teleguiados. A administração e os tecnocratas, menos hipócritas que os académicos, falam de nós como “sujeitos” ( no sentido de “sujeitar”, “reprimir”, “dominar”) e classificam-nos como “recursos humanos”, esta é uma sociedade onde não existem virtudes mas antes normas.»
Maurice Bardèche
in "Sparte et les Sudistes", Les sept couleurs, 1969