terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Em Nome da Pátria


Em Nome da Pátria
João José Brandão Ferreira

O modo como se processaram as últimas campanhas militares ultramarinas, entre 1954 e 1975, está longe de ser consensual na sociedade portuguesa. Bem pelo contrário, tem-na dividido profunda e transversalmente.
É por isso que, tanto tempo depois, se torna imperioso encontrar consensos baseados na correcta interpretação dos factos históricos e nas verdadeiras intenções dos principais protagonistas do momento. Só assim Portugal poderá construir equilibradamente o seu futuro, com base no que só uma síntese de ilações acertadas a este respeito pode proporcionar.
Em Nome da Pátria aborda os controversos temas da sustentabilidade das operações militares e das razões que levaram à desistência nacional de prosseguir o combate quando, aparentemente, a guerra estava ganha, e, sobretudo, da justiça e do direito do nosso país em fazer a guerra. Tudo não terá passado de uma «grande traição»?
Falamos de questões incontornáveis no panorama da história contemporânea portuguesa, aqui abordadas de um modo muito pouco ortodoxo em relação às ideias que a «história oficial» nos apresenta relativamente a este tema.

Fonte: Livros d'Hoje

3 comentários:

Gonçalo R. disse...

Uma boa prenda de Natal!

Antonio Cruz disse...

A "Providência Divina" não salvou só o cidadão João Brandão Ferreira do PREC, salvou-o de ter de andar na Guerra!
O que sabe sobre guerras é bagagem teorica dos livros e concretamente sobre o que se passava militarmente nos territórios da Guiné, de Angola e Moçambique, foi adquirido em 2ª. mão!
O cidadão Brandão Ferreira tem muita "formação" adquirida aqui e nos "states" sobre guerras, eu
o primeiro curso de formação que tive neste país foi aprender a matar. Aprendi isso na Carregueira em 1969. Tinha 2o anos.
Apliquei esses conhecimento pela primeira vez num trilho a 40 km de Mocima do Rovuma. Atirei sobre dois guerrilheiros com cerca de 16 anos. Era ainda mais crianças do que eu, mas um deles trazia uma AK-47 e o corpo enrolado em fitas com balas e o outro aperrava uma Kalashnikov.Não tinha outra alternativa. Tive a sorte de ser eu o primeiro a ver. Um caiu morto logo e o outro ficou em espasmos no chão com parte da boca arrancada e nariz.Mais 3 mulheres que traziam caixas com munições à cabeça foram atingidas pelo fogo que se estabeleceu. Os guerrilheiros veteranos que seguiam na rectaguarda do grupo fugiram.
A segunda criança guerrilheiro ainda ficou vivo cerca de 1 hora.Nada podiamos fazer.Nenhum de nós teve coragem de lhe dar o tiro de misericórdia.
Nesse dia fiquei a saber o que é a guerra na prática.Não matei aqueles miudos por patriotismo nem por dever de defender a pátria de alguns,pois aquela guerra não era a minha. Matei para evitar de ser morto.Continuei a matar sempre pelo mesmo motivo.
As leis da guerra que o senhor tanto estou, para mim só têm um artigo único.Matar para não morrer!
Isso porque eu não aprendi nas academias, nem na USA, a defender a pátria, aprendi na carregueira com os militaristas, a matar para não ser morto. E aprendi bem a lição!

o estilhaços disse...

A guerra era justa?
...para os militares do quadro permanente era!...cada comissão em africa significava a compra duma casa na europa!
Salazar arranjou-lhes aquele "extra". Estavam no ocio desde 1918.
...foram 13 anos a facturar!
...agora o que está a dar é "defender" o Afeganistão!